Oferta Pública: garantias e formação de preços

A oferta pública conta com garantias, tais como: garantia firme, garantia residual, e melhores esforços. Conta também com um mecanismo de formação de preços que visa garantir o preço mais justo possível entre as partes envolvidas.

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O mercado financeiro tem suas complexidades, e entre elas destaca-se a oferta pública. Quando pensamos em ações, investimentos e crescimento empresarial, frequentemente encontramos este termo. No entanto, muitos se perguntam sobre os mecanismos por trás desse processo. Entender as garantias e a formação de preços não é apenas uma questão técnica, mas uma maneira de garantir investimentos mais seguros e informados. 

 A oferta pública representa uma janela para empresas captarem recursos, expandirem seus negócios e se consolidarem no mercado. Contudo, para os investidores, é uma oportunidade de se tornarem participantes do crescimento e do sucesso dessas empresas. E, por esse motivo, a formação de preços surge como um ponto crucial. Portanto, o preço determinado não é fruto do acaso. Ele resulta de uma análise minuciosa que leva em consideração diversos fatores. 

 Por outro lado, temos as garantias, que possuem um papel vital. Elas atuam como um pilar de segurança, tanto para as empresas quanto para os investidores. Em um ambiente onde as incertezas são inerentes, essas garantias buscam oferecer um terreno mais estável para todos os envolvidos. 

Assim, neste artigo, desvendaremos os mistérios por trás das garantias e da formação de preços em ofertas públicas. Além disso, abordaremos a relevância desses conceitos no mundo dos investimentos. E, ao final, esperamos que você, leitor, tenha uma visão clara e ampla sobre o tema. 

Para tanto, abordaremos os seguintes tópicos: 

  • O que é uma Oferta Pública 
  • Garantias nas Ofertas Públicas 
  • Entendendo a Formação de Preços 
  • Os Underwriters e sua Função 
  • Métodos de Formação de Preços 
  • Riscos Associados e Como as Garantias os mitigam 
  • Regulamentação e Supervisão 

O que é uma Oferta Pública 

Uma oferta pública representa um marco na trajetória de muitas empresas. Através dela, uma companhia abre suas portas para o grande público, oferecendo parte de seu capital em troca de investimentos. Mas não se engane: esta transação não ocorre de forma aleatória. 

Em essência, a oferta pública é um procedimento onde empresas ou acionistas vendem uma quantidade específica de ações para o público em geral. Assim, o principal objetivo é captar recursos, seja para expansão, investimentos em projetos ou até mesmo para quitar dívidas. Fundos de investimento imobiliário, como outro exemplo, podem fazer o mesmo procedimento. 

Por outro lado, para os investidores, este processo representa uma chance de comprar uma “fatia” da empresa e se beneficiar de seus futuros lucros e crescimento. E, embora pareça simples, a oferta pública envolve uma série de etapas e regulamentações. Isso porque a transparência e a confiabilidade são essenciais neste processo. 

Além disso, vale destacar que existem diferentes tipos de ofertas públicas. Algumas são voltadas para empresas que desejam entrar na bolsa, enquanto outras são para aquelas que já possuem ações, mas desejam captar novos recursos. Independentemente do tipo, a oferta pública tem impacto significativo no mercado financeiro, influenciando decisões, tendências e, claro, os investimentos de muitos. 

Deste modo, compreender o conceito e as nuances de uma oferta pública torna-se essencial. Não apenas para investidores e empresários, mas para qualquer pessoa que deseje navegar com segurança e confiança no vasto oceano do mercado financeiro. 

Garantias nas Ofertas Públicas 

Ao adentrar o universo das ofertas públicas, surge uma dúvida recorrente: quais são as garantias envolvidas? Afinal, investir requer confiança, e o mercado financeiro, por sua natureza, possui riscos. 

Em primeiro lugar, as ofertas públicas seguem um rigoroso protocolo estabelecido por órgãos reguladores, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil. Este protocolo garante que as informações apresentadas pelas empresas sejam verídicas e transparentes. Além disso, empresas de auditoria independentes analisam as finanças das companhias, certificando-se de sua saúde financeira e veracidade dos dados.

No entanto, a garantia não se restringe apenas à transparência. Ao lançar uma oferta pública, as empresas muitas vezes contam com instituições financeiras garantidoras, também chamadas de coordenadoras. Estas instituições, após análise criteriosa, comprometem-se a adquirir os ativos não vendidos, proporcionando maior segurança aos investidores. 

Tipos de garantias

São considerados alguns tipos específicos de garantias na distribuição dos valores mobiliários, a serem observadas pelo banco coordenador ou pelo pool de instituições financeiras.  

Garantia firme

Nela, tanto a colocação quanto a integralização do total de valores mobiliários emitidos são garantidos pela instituição financeira líder ou pelo pool de instituições responsáveis.

Isso significa que a instituição financeira assumirá o compromisso de adquirir quaisquer ações que, porventura, não sejam objeto de interesse por parte dos investidores. De qualquer modo, a emissora receberá, integralmente, o valor total dos papéis lançados.

Garantia residual

Na garantia residual, a instituição líder se compromete, junto à companhia emissora, a negociar os papéis no mercado durante tempo determinado. Ao final desse prazo, a instituição financeira concorda em adquirir as ações que não foram demandadas pelo público.

Aqui há uma diferença importante em relação a garantia firme. Na firme os ativos são comprados pela instituição financeiro pelo preço de emissão. Já na residual os papéis que sobrarem serão comprados a preço de mercado.

Melhores esforços

Nesta garantia, a instituição financeira líder se compromete a realizar os melhores esforços para a colocação do maior número possível de ações no mercado.

Contudo, nem o banco líder ou o pool de instituições assume qualquer tipo de responsabilidade sobre a integralização dos papéis do lançamento. Desse modo, o risco de colocação dos valores mobiliários no mercado recai, de modo exclusivo, sobre o emissor, que receberá as ações não demandas.

Entendendo a Formação de Preços

A formação de preços nas ofertas públicas é um processo meticuloso e crucial para o sucesso da operação. Mas como se chega a esse valor?
Inicialmente, analisam-se os fundamentos da empresa. Esta análise envolve estudar balanços, dívidas, lucros e projeções futuras. A partir destes dados, estabelece-se uma faixa de valorização justa para a empresa. Além disso, considera-se a saúde econômica do país e as tendências do mercado financeiro.

Ademais, o preço de uma oferta também leva em conta a demanda prevista pelos ativos. Se os investidores mostram grande interesse, isso pode influenciar o preço para cima. Por outro lado, se há receio no mercado, os preços podem ser ajustados para baixo, a fim de atrair compradores.

Outro fator crucial é a comparação com empresas similares. Estuda-se o valor de empresas do mesmo setor, analisando seus múltiplos, como o P/L (preço/lucro). Esse benchmarking ajuda a definir um preço competitivo e atraente.

Por fim, as instituições financeiras garantidoras e os assessores da oferta têm papel ativo nesse processo. Eles realizam análises, estudam cenários e sugerem ajustes para garantir a adesão dos investidores.

Os Underwriters e sua Função

No universo das ofertas públicas, os underwriters, ou garantidores, ocupam uma posição central. Mas qual é exatamente o papel desses profissionais?

Os underwriters são, em essência, instituições financeiras que garantem a compra das ações ou títulos em uma oferta pública. Dessa forma, eles assumem o risco da operação. Se, por acaso, não houver interesse suficiente do mercado, o underwriter se compromete a adquirir as ações remanescentes.

Além disso, os underwriters também têm um papel consultivo. Eles ajudam a empresa emissora a definir o preço inicial das ações. Para isso, realizam uma série de análises e estudos sobre o mercado e sobre a própria empresa. O objetivo é determinar um preço que seja atraente para os investidores e, ao mesmo tempo, benéfico para a empresa.

Contudo, é importante ressaltar que os underwriters recebem uma comissão pela sua atuação. Portanto, têm interesse direto no sucesso da oferta. Por esse motivo, frequentemente realizam esforços de marketing e vendas para promover a oferta junto a investidores potenciais.

Em síntese, os underwriters desempenham um papel duplo nas ofertas públicas: são garantidores e consultores. Eles asseguram que a oferta obtenha sucesso, minimizando riscos e maximizando o retorno para a empresa emissora. Assim, seu papel é fundamental para a estabilidade e confiança nas operações do mercado financeiro.

Métodos de Formação de Preços

Definir o preço correto em uma oferta pública é crucial. Dessa forma, os métodos de formação de preços ganham relevância inestimável.

Cubos formando a palavra Price (Preço)

Um dos métodos mais comuns é o bookbuilding. Aqui, o preço não é fixado de imediato. Em vez disso, uma faixa de preço indicativa se estabelece. Investidores interessados fazem ofertas dentro dessa faixa. Posteriormente, com base na demanda, determina-se o preço final. Esse método traz a vantagem de refletir de perto o interesse real do mercado.

Outro método amplamente utilizado é o preço fixo. A empresa e os underwriters definem, desde o início, o preço das ações. Esse valor se baseia em análises e projeções, sem uma consulta direta ao mercado. É um processo mais rápido, porém, carrega mais riscos caso o preço definido não atraia investidores.

Além disso, existe o método leilão. Nesse, a empresa emissora especifica uma quantidade de ações e os investidores fazem ofertas de preço. Ao final, as maiores ofertas determinam o preço de emissão. Assim, este método garante que o preço final seja o mais alto possível.

Riscos Associados e Como as Garantias os mitigam

No universo das ofertas públicas, os riscos são inerentes. Contudo, existem mecanismos para minimizá-los, e as garantias desempenham um papel fundamental nesse contexto.
Primeiramente, temos o risco de mercado. É a possibilidade de o preço das ações cair após a oferta pública. No entanto, os underwriters, ao garantirem a compra de uma quantidade de ações, podem estabilizar o preço, pelo menos temporariamente.

Além disso, existe o risco de liquidez. Refere-se à capacidade de converter as ações em dinheiro. Ao oferecer garantias de colocação firme, os underwriters asseguram que comprarão as ações não subscritas, proporcionando uma liquidez instantânea à empresa emissora.

Outro risco relevante é o de informação. As empresas podem não divulgar todas as informações necessárias ou apresentar dados imprecisos. Aqui, as auditorias independentes e os reguladores, como a CVM, atuam para garantir transparência e precisão nas informações compartilhadas.

Finalmente, há o risco de falha na operação. Problemas técnicos ou logísticos podem surgir. Entretanto, as instituições envolvidas normalmente contam com planos de contingência e backup para assegurar que tudo transcorra sem maiores contratempos.

Regulamentação e Supervisão

As ofertas públicas, pela sua natureza e impacto no mercado financeiro, necessitam de uma supervisão criteriosa. Assim, em território brasileiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) assume esse papel regulador.

A CVM estabelece normas e diretrizes para as ofertas públicas. Ela assegura que as empresas sigam protocolos rígidos de transparência e ética. Além disso, busca proteger os investidores de possíveis fraudes ou má administração das empresas listadas.

Sobre a CVM — Comissão de Valores Mobiliários

A legislação, em especial a Lei nº 6.385/76, delimita as responsabilidades e obrigações das companhias. E é crucial que as empresas respeitem estas regras, pois desvios podem resultar em pesadas sanções ou até na exclusão do mercado.

Além da CVM, o Banco Central também tem um papel relevante, principalmente quando falamos de instituições financeiras. Juntos, estes órgãos monitoram e asseguram a integridade do mercado, estabelecendo regras claras e fiscalizando sua correta aplicação.

Esperamos que com estas informações você possa participar mais seguramente de processos de ofertas públicas.

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