O que é IPCA?

O índice de inflação mais acompanhado no Brasil é o IPCA. Ele é o índice que mensura a elevação dos preços do consumo das famílias brasileiras e tem influência direta nas decisões que afetam a taxa Selic - a taxa básica de juros da economia brasileira.

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Muito provavelmente, você está se perguntando o que é IPCA. O índice de Preços do Consumidor Amplo, mais conhecido como IPCA, é um dos principais indicadores econômicos do Brasil. Pode não ser uma sigla comum no dia a dia das pessoas, mas, com certeza, a maioria dos brasileiros conhece bem a palavra inflação. O IPCA é o índice que mede a inflação   

Para entender melhor como funciona o Índice de Preço do Consumidor Amplo, neste artigo, você vai encontrar: 

  • O que é o Índice de Preço do Consumidor Amplo;  
  • O porquê e para quê este indicador existe;  
  • Como a inflação afeta a sua renda e os seus investimentos;  
  • Investimentos atrelados ao IPCA;  
  • Outros índices de inflação.  

O que é IPCA e como ele é calculado 

O IPCA mede a inflação, ou seja, a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços do consumo pessoal das famílias no varejo. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calcula o IPCA mensalmente por meio do Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor, o SNIPC. O índice IPCA objetiva garantir a cobertura do consumo de 90% (noventa) das famílias que ocupam as áreas urbanas do Brasil.  

O IPCA é o índice oficial de inflação do Brasil, que cobre o consumo de 90% das famílias brasileiras. 

Metodologia de cálculo do IPCA

O IBGE coleta dados dos preços em estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, concessionária de serviços públicos, até mesmo de internet. Essa coleta ocorre, em geral, do 1º (primeiro) a0 30º (trigésimo) dia do mês de referência, de acordo com informação publicada pelo IBGE. Os produtos e os serviços que fazem parte desta cesta de preços são: Alimentação e bebidas, habitação, artigos de residência, vestuário, transportes, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, além de educação e comunicação.   

O consumo mensurado, atualmente, tem como alvo as famílias com rendimentos de 1 (um) a 40 (quarenta) salários mínimos, residentes nas áreas urbanas das regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju; sendo São Paulo a área urbana de maior relevância para a estimativa.  

O IPCA é considerado o índice principal de inflação do consumo das famílias, mas outros derivam dele. O IPCA-15 usa a mesma metodologia, com a diferença do período de coleta, que vai do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês seguinte. O IPCA-E, de Especial, mensura o índice acumulado trimestralmente pelo IPCA-15. O IPCA acumulado, por sua vez, é a variação da inflação em um determinado período; geralmente, este indicador representa a inflação acumulada em 12 meses.  

Por que o IPCA existe? 

Como mencionado, o IPCA mede a variação de preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias brasileiras. É ele que vai mostrar se a nossa moeda, no caso o Real, está perdendo valor no tempo. Ou seja, se estamos perdendo o nosso poder de compra. Por exemplo, se antes comprávamos uma cesta básica por R$150 (cento e cinquenta reais) nos anos 2000, em 2023 precisaríamos gastar próximo de R$800 (oitocentos reais) por esta cesta. Perceba que, com o aumento da inflação, muitas medidas precisam ser tomadas na economia do país, inclusive o salário base dos brasileiros.   

Se não houvesse o índice de inflação, seria muito mais difícil e obscuro tomar algumas decisões que impactam diretamente o bolso dos brasileiros.   

O IPCA e a economia 

A inflação gera incertezas na economia, desestimula o investimento de forma geral impactando, assim, negativamente o crescimento econômico. Porém, ela faz parte do ciclo econômico, sendo uma consequência do período de expansão, que é quando há alta oferta de trabalho, maior circulação de dinheiro, grande produção e demanda por consumo. Como a inflação faz, naturalmente, parte de todo esse ciclo, é determinado uma meta para que ela, a inflação, não saia do controle. E, para este controle, é usado o IPCA, para saber se o aumento dos preços do consumo das famílias está dentro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).  

O problema acontece quando o índice de inflação demonstra que ela está acima ou caminhando para fora da meta, resultando em impactos bastante negativos na economia. Fazem parte desse rol de impactos negativos, entre outros, o empobrecimento da população, a redução da oferta de empregos, a diminuição da qualidade de vida. Como resultado, temos, também, a elevação da taxa de juros, no Brasil – a Taxa Selic.  

Taxa de juros SELIC e economia

Com a elevação dos juros para conter a inflação, a economia sofre uma desaceleração, pois aumenta-se o preço do crédito desestimulando os investimentos das fábricas, das empresas e dos governos. Porém, a taxa de juros é o principal instrumento da política monetária para controle inflacionário, e o COPOM (Comitê de Política Monetária) utiliza o Índice IPCA para tomar decisões de ajustes dessa taxa de juros.  

A taxa de juros (SELIC) é a principal ferramenta de combate à inflação. 

Lembra o IPCA acumulado que mencionamos? Ele é o principal parâmetro utilizado pela economia de forma geral, uma vez que demonstra um prazo maior do que o mensal e serve como base para determinar investimentos e reajustes salariais. Assim, é preciso superar a inflação para, no primeiro caso, assegurar lucratividade e, no segundo, viabilizar o consumo de produtos do cotidiano das famílias brasileiras.  

O IPCA, a renda dos brasileiros e os investimentos 

O grande problema das variações do IPCA com a renda e com os investimentos é quando não obtemos uma rentabilidade real, e quando a renda do brasileiro não está de acordo com a inflação. Se a renda não for ajustada em igual proporção, consequentemente, o consumo das famílias sofre uma redução, logo o brasileiro perde o seu poder de compra.   

No caso dos investimentos, devemos buscar uma rentabilidade acima da inflação, isso que é chamado de rentabilidade real. Por exemplo, se investirmos no Tesouro Selic e a taxa de juros no Brasil estiver a 7% (sete) e a inflação a 12% (doze), “perderemos dinheiro” mesmo que haja um aumento monetário no investimento. Ou seja, os produtos consumidos estão percentualmente mais caros do que os rendimentos dos investimentos.   

O IPCA, a renda dos brasileiros e os investimentos 

O Brasil tem avançado quando o assunto é cultura financeira. Fazer uma reserva, investir parte da renda e pensar no longo prazo são hábitos que têm se tornado cada vez mais presentes na vida da população, principalmente com a atuação do profissional da Assessoria de Investimento. Quer conhecer um pouco mais sobre essa profissão? Leia essa matéria que escrevemos sobre ela.  

Mas, como fazer o dinheiro render acima da inflação? É preciso estar ligado sempre no índice IPCA e entender sobre investimentos para conseguir superá-la? A boa notícia é que não, você não precisa acompanhar sempre o índice de inflação para investir e superá-lo e nem precisa entender tanto assim de investimentos. Saiba que existem investimentos que garantem a rentabilidade real do seu patrimônio: são os títulos atrelados ao IPCA, como o Tesouro IPCA que é um título público. Existem também títulos bancários, como o LCI (letra de crédito imobiliária) e o LCA (letra de crédito do agronegócio); e títulos de crédito privado, um título emitido pelas empresas, que têm como um exemplo as Debêntures. Além desses, o investidor pode contar com fundos de investimento que possuem o IPCA como índice de referência para alocação.  

O investidor precisa estar atento à inflação para ter certeza de que seus investimentos estão superando o IPCA e, assim, garantirem um rendimento real. 

O que o investidor precisa estar atento é se o título que deseja investir tem como indexador o IPCA. Então, geralmente, serão títulos que possuem duas estruturas de rentabilidade, sendo uma parte rendendo o índice IPCA e a outra parte da rentabilidade, que é a rentabilidade real (acima da inflação), prefixada, ou seja, com uma taxa já estipulada.   

Confira abaixo um vídeo sobre o IPCA: 

Outros índices de Inflação 

Já sabemos que o IPCA é o principal índice de inflação, pois mede o aumento de preços do consumo das famílias brasileiras. Mas ele não está sozinho, existem mais 3 (três) importantes índices utilizados na economia do Brasil: 

  • INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) 
  • IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) 
  • IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) 

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INPC 

INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor): Também mensurado pelo IBGE, dentro do mesmo sistema que o IPCA. A diferença é que enquanto o IPCA mostra a variação do custo do consumo de vida das famílias com renda mensal de 1 (um)  e a 40 (quarenta) salários mínimos, o INPC foca naquelas com renda de 1 (um) a 5 (cinco) salários mínimos. A finalidade de uma coleta sobre essa faixa de renda é garantir uma abrangência de 50% (cinquenta) das famílias que tem como referência uma pessoa assalariada que mora nas áreas urbanas. Portanto, pessoas com menor renda são as que mais sofrem com o movimento dos preços em itens básicos como alimentação e transporte.  

IGP-M 

IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado): Calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o IGP-M é um índice que reflete a “inflação do aluguel”. Ele é muito usado como referência para reajustar os contratos de aluguel de imóveis e outros serviços populares. Ele existe desde a década de 1940 sendo, portanto, mais velho que os índices do IBGE. O índice é composto por três indicadores diferentes: o IPA-M, que pesa 60% (sessenta) e mede os preços no atacado; o IPC, que pesa 30% (trinta) e mede os preços ao consumidor; e o INCC, que pesa 10% (dez) e calcula a variação dos preços na construção civil.  

IPC-Fipe 

IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor): O IPC-Fipe é um índice que mede a inflação na cidade de São Paulo, baseado nos gastos de famílias com renda entre 1 (um) e 10 (dez) salários mínimos. Ele é calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), vinculada à Universidade de São Paulo (USP) e é um dos índices mais antigos do Brasil, tendo sido criado em 1939 pela Prefeitura de São Paulo.  

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