Pessoas politicamente expostas

Identificar e monitoras as Pessoas Politicamente Expostas é uma obrigação de todas as instituições financeiras vinculadas ao BC e a CVM. Entenda como essas instituições podem identificar e lidar com as PPEs neste artigo.

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No mundo atual, onde a corrupção e a lavagem de dinheiro são preocupações globais, identificar e monitorar pessoas politicamente expostas (PPEs) tornou-se essencial.

Para as instituições financeiras e órgãos reguladores, além de essencial, é obrigatório.

Neste artigo, exploraremos em detalhes o conceito de pessoas politicamente expostas, suas características e a importância de identificá-las adequadamente.

Além disso, abordaremos os mecanismos que as instituições autorizadas a operar pelo Banco Central e a CVM utilizam para qualificar esses clientes como PPEs.

O que são Pessoas Politicamente Expostas?

Pessoas Politicamente Expostas (também conhecidas como Pessoas Expostas Politicamente ou PEP) são indivíduos que ocupam ou ocuparam cargos políticos de alto nível ou têm ligações próximas com tais pessoas. Assim, isso inclui chefes de Estado, políticos, altos funcionários do governo, membros de órgãos legislativos e judiciais, entre outros.

Além disso, familiares próximos de PPEs também são considerados PPEs secundários e estão sujeitos às mesmas obrigações de monitoramento.

Pessoa Politicamente Exposta discursando

Para o Banco Central do Brasil, um indivíduo é uma Pessoa Politicamente Exposta (PPE) até 5 anos após ter oficialmente deixado qualquer cargo no legislativo, executivo ou judiciário.

A Importância da identificação de PPEs

A identificação adequada de PPEs é fundamental para prevenir a corrupção, a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo. Portanto, as instituições financeiras, como bancos e corretoras, são responsáveis por realizar uma due diligence aprofundada em relação a esses indivíduos.

Isso ajuda a mitigar riscos e a garantir a conformidade com as leis e regulamentações anticorrupção.

Procedimentos de identificação de PPEs

As instituições financeiras devem implementar procedimentos rigorosos para identificar PPEs. Portanto, isso envolve estabelecer critérios claros para determinar quem é considerado um PEP. Realizar uma análise de risco aprofundada, coletar informações adicionais sobre a fonte de recursos e monitorar as transações dos clientes, é primordial.

Um desses procedimentos, como citado acima, é a due dilligence.

Due diligence, em tradução livre do inglês, significa “diligência prévia”. É um processo de investigação e análise realizado por indivíduos ou organizações antes de realizar uma transação comercial, investimento ou parceria com outra parte. A due diligence tem como objetivo obter informações precisas e completas sobre a situação financeira, legal, operacional e comercial da parte envolvida.

Por fim, a due dilligence ajuda na tomada de decisão e avaliação dos riscos associados.

Durante a due diligence, a coleta de informações ocorre por meio da revisão de documentos, realização de entrevistas e análise de registros contábeis legais e contratuais. Além disso, podem ocorrer visitas a instalações físicas, quando aplicável. Esse processo é conduzido com rigor e cuidado para garantir que todos os aspectos relevantes sejam devidamente investigados.

Esta etapa é crucial antes de tomar decisões estratégicas ou de investimento, pois fornece uma visão abrangente e detalhada sobre a situação da parte envolvida.

Essas medidas garantem que a instituição esteja alerta a possíveis atividades ilícitas e em conformidade com as regulamentações.

Desafios na identificação de PPEs:

A identificação de PPEs pode apresentar desafios, especialmente no que diz respeito à obtenção de informações precisas e atualizadas sobre suas conexões políticas. Além disso, a definição de PPE varia entre jurisdições, o que pode levar a inconsistências na abordagem de identificação.

No entanto, as instituições financeiras devem se esforçar para superar esses desafios, buscando fontes confiáveis ​​de informações e mantendo-se atualizadas sobre as regulamentações relevantes.

Ao enfrentar os desafios da identificação de PPEs, as instituições financeiras devem adotar uma abordagem proativa, investindo em treinamento, tecnologia e processos eficazes. Pois isso ajudará a fortalecer seus programas de conformidade, mitigar riscos e cumprir as obrigações legais e regulatórias relacionadas às PPEs.

Um homem esconde com as mãos uma agenda com algumas notas de dólar aparecendo.

Responsabilidades das instituições financeiras

As instituições financeiras têm a responsabilidade de implementar medidas adequadas de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Isso inclui a identificação correta de PPEs, a realização de due diligence aprofundada e o monitoramento contínuo de suas transações.

O não cumprimento dessas obrigações pode resultar em consequências legais e reputacionais para as instituições.

Além da due diligence, as instituições financeiras têm responsabilidades adicionais em relação às pessoas politicamente expostas (PPEs). Essas responsabilidades incluem:

Identificação e monitoramento contínuo

As instituições financeiras devem implementar procedimentos rigorosos para identificar e monitorar clientes que sejam PPEs ou tenham conexões próximas com PPEs. Isso envolve a coleta de informações atualizadas sobre a posição política e conexões dos clientes, bem como a monitoração contínua de suas transações financeiras.

Avaliação de Risco

As instituições financeiras devem conduzir uma análise de risco aprofundada em relação aos clientes identificados como PPEs. Isso envolve a avaliação dos riscos associados às transações e relacionamentos com esses clientes. Para essas avaliações, considera-se a natureza do cargo político ocupado, o país de origem e a reputação do cliente.

Políticas e Procedimentos Internos

As instituições financeiras devem desenvolver políticas e procedimentos internos claros para lidar com PPEs. Isso inclui estabelecer diretrizes para a identificação, avaliação de risco, monitoramento contínuo, relatórios de transações suspeitas e ações apropriadas em caso de riscos significativos.

Treinamento e Conscientização

As instituições financeiras devem fornecer treinamento adequado a seus funcionários sobre a identificação e tratamento de PPEs. Isso inclui conscientizá-los sobre os riscos associados às transações com PPEs, bem como as políticas e procedimentos internos estabelecidos para lidar com esses clientes.

Reporte de Transações Suspeitas

As instituições financeiras são obrigadas a relatar quaisquer transações suspeitas relacionadas a PPEs às autoridades competentes. Isso contribui para a prevenção de atividades ilícitas, como a lavagem de dinheiro, corrupção e financiamento do terrorismo.

Conformidade Regulatória

As instituições financeiras devem garantir que estejam em conformidade com as leis e regulamentações nacionais e internacionais relacionadas à identificação e tratamento de PPEs. Isso envolve acompanhar as orientações e exigências das autoridades reguladoras, como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários.

O cumprimento dessas responsabilidades é essencial para prevenir a corrupção, a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo. Por fim, os procedimentos são fundamentais para garantir a integridade do sistema financeiro e a segurança dos negócios.

É importante ressaltar que estas diretrizes têm como base as regulamentações atuais. As instituições devem sempre estar atualizadas com as orientações e exigências específicas fornecidas pelo Banco Central do Brasil e pela CVM. A implementação correta desses procedimentos ajudará a garantir a integridade do sistema financeiro e a prevenção de atividades ilícitas envolvendo pessoas politicamente expostas.

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Riscos envolvidos

Os riscos legais e regulatórios para as instituições financeiras decorrentes da falta de identificação adequada de pessoas politicamente expostas são significativos. Esses riscos podem resultar em consequências legais adversas, sanções regulatórias e outras penalidades.

Cubos empilhados formando a palavra "Risco"

As autoridades reguladoras têm o poder de impor multas financeiras substanciais às instituições financeiras que não cumprem as obrigações de identificação de PPEs. Essas multas podem variar de valores elevados até mesmo a porcentagens do faturamento anual da instituição, dependendo da gravidade da infração.

Além de multas, as instituições financeiras podem enfrentar sanções regulatórias, como a suspensão temporária ou permanente de suas licenças de operação. Isso pode ter um impacto devastador nos negócios da instituição, levando a perda de clientes, confiança do mercado e danos irreparáveis à reputação.

A falta de identificação de PPEs pode abrir as instituições financeiras para ações judiciais por parte de outras partes prejudicadas, como clientes ou acionistas,

Por fim, a falta de identificação adequada de PPEs pode levar a uma percepção negativa do público em relação à instituição financeira. Isso pode resultar em uma deterioração significativa da imagem e da reputação da instituição, afetando sua capacidade de atrair e reter clientes e investidores.

Ao implementar processos robustos de identificação e cumprir as obrigações regulatórias, as instituições financeiras podem mitigar os riscos legais e regulatórios associados às PPEs, protegendo sua integridade e sustentabilidade a longo prazo.

As pessoas politicamente expostas desempenham um papel crucial no sistema financeiro, exigindo uma abordagem cuidadosa por parte das instituições financeiras e dos órgãos reguladores.

Identificar adequadamente esses indivíduos e monitorar suas transações é fundamental para prevenir a corrupção e garantir a integridade do sistema financeiro global.

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